
Sempre que me lembro que sou socióloga, me lembro também de um filme que contava a história da Leila Diniz, onde Marieta Severo fazia sua mãe. Os pais de Leila eram comunistas.
Meu pai sempre foi de esquerda. Minha mãe, também, porém sempre mais ponderada. E antes de descobrir que todo fundamentalismo era burro, fui da esquerda mais vermelha durate toda a minha adolescência. Acordei na faculdade, onde nada daquilo fazia sentido. Os ideais não eram verdadeiros e os militantes também me pareciam artificiais. Uma verdadeira trupe encenando um papel que só cabe nos arredores da Universidade.
Com uns 11 anos, era louca por mapas. Dizia que iria ser geógrafa. Era a época do desmembramento da Europa Oriental, das guerras na África. O mundo não era o mesmo e eu me encantava com os mapas que chegavam junto da Folha de São Paulo, onde eu percorria quilômetros (encantados quilômetros don quixoteanos!), vivendo no império Maia, participando da Primavera de Praga e da Revolução dos livros, me horrorizando com o nazismo e participando da Revolução de Outubro.
Quando descobri que uma ciência juntava tudo o que eu mais gostava - as Ciências Sociais - me tornei socióloga ainda sem ser. E hoje sou. E como gosto. E como ainda me encanto com a geopolítica.
A primeira aula da faculdade (David Bowie e orientais numa luta sem igual), estava eu com a camiseta, pintada por mim mesma. O desenho era a sombra de Che Guevara.
Acordei, abri o computador e vi que Fidel havia renunciado. 19 de fevereiro de 2008. Em casa, os problemas de sempre. Mas os valores de sempre. Minha mão chorou, estou aqui parada na frente do PC e meu pai, como sempre, sabia cada detalhe: tinha escutado logo de manhã a notícia.
É como se tudo estivesse acabando aos pouquinhos, como se não mais existisse diferencial algum, nessa globalização desenfreada que massifica gostos e idéias.
Meus alunos com certeza, quando se pergunta quem é Fidel, devem responder: é aquele velho esquisito que usa uns botinões.
Eu não sei oq o Comandante significa. Acho que é esperança.
É por isso que abala tanto.
